Chá de Letras #80

 "Todo o Resto é Muito Cedo" - Luiza Mussnich

 

Meu primeiro de poesias do ano. Luiza traça aqui, conflitos, vozes, doces e suspiros numa coletânea com críticas sutis e ironias muito bem tratadas. Me lembrou a delícia que é ser vista, tocada e anunciada através de um verso, como se apenas poeticamente pudéssemos sentir.

Na estrofe: "o tempo sempre aumenta as fissuras?" no poema riscos, me veio um paralelo entre as fissuras do rosto e dos lugares, como se o tempo aumentasse nossas marcas na pele, assim como as rachaduras nas paredes (como citado ao final do poema também). Achei muito bonito, ainda mais dado ao nome do próprio.

Fora um fato bastante interessante que Prisca Agustone trouxe no posfácio, em que salienta as "vozes contemporâneas da poesia brasileira, em especial a feminina", que tem tomado um espaço social maior nos últimos tempos, mais vozes e anseios a mostra, mais daquilo que se muito vive.

Me senti conversando com a própria Luiza, ou com as palavras que ali estava; até cedi ao desejo de responder alguns apontamentos grifados. Achei especiais estes versos e muitos pretendo continuar vivendo, sentindo e costurando nos tempos...


~*~


Q U O T E S:


"já tentou brincar 

do jogo do sério

apaixonado?"


"a distância entre espaços dói menos que a distância entre tempos"


"gostar das coisas porque:

correspondem às nossas expectativas

quebram nossas expectativas"


"imagina sair pra trabalhar

todo dia

com um nó na garganta?"


"dizem que é sempre nos olhos

que as pessoas são mais tristes

(...)

o tempo sempre aumenta

as fissuras?

(...)

há ainda fantasmas dançando nas sombras rachadas

destas paredes"


"que lembrar é de certa forma aproximar

do esquecimento?"


~*~

Fotos no Instagram: @safirasafisaga



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